quarta-feira, agosto 17, 2005

A esperança "soarista" do PS

O anúncio da candidatura de Mário Soares a Belém subverteu os dados seguros da vitória para Cavaco Silva. O antigo Presidente não é homem para «correr só para competir». Apesar da idade avançada, ninguém lhe nega a vitalidade intelectual e, sobretudo, um talento e experiência política singulares. Vai à luta para ganhar e deu às novas gerações um exemplo de serviço público, numa altura em que os mais jovens optam pela segurança e conforto de outras posições, bem menos arriscadas e muito melhor remuneradas. Os socialistas, compreensivelmente, vêem agora uma luz, forte, no fim do «túnel presidencial». Uma luz “soarista”. Deveriam, no entanto, conter a euforia. A eleição de Janeiro já não será um passeio para Cavaco, que, por sinal, não é grande apreciador de combates políticos duros, para mais contra um homem que, no passado, mostrou saber como não lhe fazer a vida fácil. De qualquer forma, não é certo que o pleno do voto da esquerda, praticamente seguro para Soares, chegue para a vitória. Cavaco representa, goste-se ou não do estilo, uma imagem de sobriedade, rigor, competência técnica, sentido de Estado e outras características que em Portugal não têm, nos últimos tempos, evidenciado grande abundância. O Portugal dos nossos tempos é muito diferente daquele que deu ao fundador do PS a vitória contra Freitas do Amaral. Os eleitores são hoje mais pragmáticos, optam menos em função de ideologias e estão preocupados com o futuro. Quem melhor responder a esses desafios, ou seja, o candidato que mais capaz for de seduzir o chamado voto moderado, será o próximo ocupante do Palácio de Belém.

Nota: Agora que tenho tempo..posso dedicar-me a observar a actualidade política de outra forma. Deixo aqui uma crónica que me pediram para um jornal regional. Espero pontos de vista... Beijinhos.

1 comentário:

Joao Damasceno disse...

Concordo contigo Ana. Eu pessoalmente não gosto do Cavaco Silva, mas uma coisa não posso negar, ele como tu mesmo escreveste tem "...uma imagem de sobriedade, rigor, competência técnica, sentido de Estado...", coisa que faz falta a quem detem o poder em Portugal nos nossos dias.
Uma coisa é certa, eu acredito que o dr. Mario Soares neste momento é aquele que é capaz de reunir e mobilizar toda a esquerda. Mas não escondo um certo descontentamento, para mim o candidato ideal seria o António Vitorino...
Mas...se o Soares avançar... a luta vai ser longa.
Vamos esperar para ver...
E que fique a ganhar este Portugal tão pequenino...