domingo, agosto 26, 2007

O Eduardo...

Nada do que possa escrever aqui acrescentará seja o que for sobre o Eduardo. Deixou-nos este fim-de-semana. O dia de sábado, 25, Agosto, acordou cinzento. Talvez fosse já o presságio da notícia negra que viria a ser anunciada a meio da manhã.
Eduardo Prado Coelho falecia aos 63 anos, na sua residência, em Lisboa. Tive o privilégio de privar com o EPC, duas vezes na vida. A segunda, mais alongada, e, por isso, mais gravada na minha tenra memória, de jornalista e mulher.
Do «intelectual público» todos já falaram. O papel do jornal já escreveu. Do homem também. Não consigo imaginar alguém que se encontrasse com o EPC e não gostasse dele. Por todas as razões e mais alguma o Eduardo não desapareceu. Apenas perdemos todos nós, os leitores, atentos e assíduos, as mulheres e homens, que ficam com o Eduardo nas vidas que continuam.
Amanhã já não tenho o EPC para ler. Para aprender. Para crescer. Mas não esqueço a simplicidade das palavras que o homem, um dia, era eu uma mera estagiária, há algum tempo, me disse ... «Tu, jovem menina, não te encantes demais pelo jornalismo. Às vezes, ele não é tão bom como parece». Como sempre, o Eduardo tinha razão!

domingo, agosto 19, 2007

Abrantes anda viva...

A silly season a dar as últimas, as notícias a teimarem em não surgir e, por cá, por este cantinho europeu, arranja-se o que se pode.
Abrantes tem andado nas bocas da imprensa nacional. Só é pena que pelos piores motivos. Primeiro, o novo cemitério — à americana, situado junto a São Lourenço — que teima em não ter «vida». Salvo seja, porque vida é coisa que um local daqueles não pode respirar.
Depois, uma autêntica caça à família que foge às ameaças da família cigana mais conhecida por terras abrantinas. Um autêntico filme à americana (mais outra) que se vive pelas bandas de Abrançalha de Cima.
Ainda soubemos na semana que passa que dois funcionários — na casa dos 50 anos — da Câmara Municipal utilizavam os computadores do município para passar o dia a ver sites pornográficos! Oh Meu Deus, mas será que pela minha cidade não acontece nada de bom! Cá espero as boas novas!
Contudo, a escassos quilómetros da minha cidade florida, em Constância, eis que uma feliz notícia me chega à capital. Foi ontem (sábado) a inauguração do Observatório Solar no Centro de Ciência Viva de Constância. BOA!!! NOTÍCIA, pois claro!
Boas férias para todos!

domingo, agosto 12, 2007

Centenário de Miguel Torga!


Miguel Torga nunca deu importância aos prémios e às condecorações. Quem conhece a vida e obra de um dos escritores mais fantásticos que este País já conheceu, sabe-o bem. Em pleno Agosto, em que os portugueses estão a banhos, o homem de «Os Bichos» é lembrado hoje, no dia em que se comemora o centenário do seu nascimento.
Adolfo Correia Rocha — a pergunta que os sábios fazem sempre aos aprendizes como eu, em jeito de rasteira — é hoje lembrado em Coimbra, a cidade que fez do coração deste transmontano um homem maior da literatura portuguesa.
É lamentável que nenhum membro do Governo que se diz socialista estivesse presente na cidade dos estudantes para o elogiar. Torga não precisa de políticos «mal agradecidos». Torga não quer que o lembrem de forma «obrigatória». Porque Torga, esteja ele onde estiver, sabe bem que estes governantes são passagem efémera e «ignorante» no Portugal — cada vez mais pequenino — que temos.

P.S. - Bastou Alegre em Coimbra. Não precisamos da ala direita do Partido Socialista.

quinta-feira, agosto 09, 2007

O estúpido embargo até amanhã às sete da manha!

Em pleno Verão as notícias são uma raridade. Não é que este ano seja um ano igual aos outros. Não é. Só pelas directas do PSD, pela guerra no BCP e pela «silly season» de Agosto, jornais, rádios e televisões já têm com que se entreter. Mas, a verdade, é que o «caso Maddie» volta à actualidade mediática.
Não sabemos, porém, se de forma propositada para não fazer cair o assunto em saco roto, se de facto pela evolução das investigações. Ao fim de três meses, sabemos agora que a PJ passou da tese do rapto para a tese do homicídio. Perante as novas informações de que dispomos, ficamos, porém, na mesma. A PJ sabe bem o que faz e certamente está a distrair a imprensa, britânica e portuguesa, da verdadeira natureza do caso. Quem conhece os meandros das investigações à «CSI portuguesa» sabe perfeitamente o quão importante é afastar os jornalistas do real rumo da eventual verdade do caso.
Mas o chocante é a forma como os pais da pequena Maddie estão a comportar-se. Todo e qualquer humano compreende o sofrimento de um pai e uma mãe que perde a filha nas circunstâncias conhecidas. Não podemos perceber totalmente, mas imaginamos. Mas, desde o início, que Kate e Jerry, agiram de forma bastante inteligente (e experiente, diria) com a comunicação social. Tarefa inimaginável de suportar para qualquer pai e mãe. O que se estranha é que, perante a tremenda ajuda que os media portuguesa têm dado a este acontecimento, o casal britânico queira (agora e somente a partir de agora) falar para a imprensa inglesa. O embargo aos órgaos portugueses — conhecido esta manhã — da entrevista que Kate e Jery darão esta tarde aos jornalistas britânicos e que só terminará amanhã às sete da manhã é revoltante.
O pano dos MacCann começa a cair. Esperemos que não descambe para um final trágico. Todos nós esperamos que Maddie esteja viva, apesar de as hipóteses serem escassas. Para o bem da menina e para o bem dos seus pais. A arrogância e a mediatização que estão a ter estes médicos começa a ser revoltante.