sexta-feira, dezembro 30, 2005

Um Candidato no Reveillon

Mário Soares prepara-se para ser o único dos candidatos à Presidência da República que vai aproveitar o "reveillon" (noite de passagem do ano) para levar a cabo mais uma actividade de campanha. Uma situação inesperada, de vantagens não comprovadas e que leva de imediato a conclusões que apontam para o domínio das atitudes desesperadas.
Soares surge aos olhos da opinião pública como o candidato que está a olhar com a ansiedade para o tempo que se esgota, e que deita mão a todos os recursos para não desperdiçar nenhuma oportunidade: mesmo que esteja em causa uma noite especial, ritualista e de diversão pura. Uma noite em que poucos estarão dispostos a perder tempo com política e politiquices. Soares ficará sozinho no "plateau", mas também por isso parecerá o mais tenso e preocupado com os resultados finais. Os outros candidatos tiram folga, para descontrair e descansar, mas não o candidato apoiado pelo PS. Soares não fará assim uma pausa natural que permita fazer a distinção entre a pré-campanha e a campanha oficial. Na noite de passagem do ano, enquanto a esmagadora maioria dos eleitores estará a fazer a sua festa de despedida do ano velho e de boas-vindas ao novo ano, há um candidato disposto a enfrentar o instável equilíbrio das emoções, alimentadas por estados etílicos exagerados, que se vão exacerbar e excitar com a presença da comunicação social. Na noite de passagem do ano há um candidato na rua em acção de campanha, provavelmente tentado a dizer que não é o caso (como fez recentemente com um passeio em Campo de Ourique em que os jornalistas foram previamente convocados pelo Staff, que também o acompanhava no tal passeio), com mais de cinco dezenas de pessoas atrás, entre jornalistas, repórteres de imagem e fotográficos, elementos do staff e seguranças. E não deve ser nada fácil garantir a segurança de um ex-presidente numa noite de fim-de-ano, mesmo que seja confinada a um espaço com entradas controladas. O factor etílico fará aqui toda a diferença. O que ganhará Soares com esta isolada actividade de campanha para além de muitas e óbvias críticas? Talvez uma peça nos Telejornais da hora do almoço no dia seguinte quando a maior parte dos portugueses estará a repousar de uma noitada à moda antiga. Provavelmente um ou dois soundbites na rádio e várias referências nos jornais. Notícias que provavelmente vão aparecer confrontadas com as opiniões dos outros candidatos sobre essa acção de campanha, debitadas confortavelmente sem estragarem os seus planos de festa, privada, para esse dia. Mário Soares acredita que vai marcar a agenda, mas aparecerá diluído no meio das notícias habituais nesta época do ano. Isto, claro, se não acontecer nenhuma tragédia que absorva todas as atenções de espectadores, ouvintes e eleitores. De quem terá partido ideia tão inesperada? Do candidato ou do staff?

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